Jaguar – Sébastien Legar
01 Mar 2008 | Tech House

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O que é EDM? (e disco, techno, dance music, electronica…)

O que é EDM? (e disco, techno, dance music, electronica…)

 

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Quem me deu o toque foi o Matias. Já falei muito em EDM aqui no blog nos últimos anos, mas em nenhuma ocasião cheguei a explicar o significado da famigerada sigla. “Electronic Dance Music, pô”, dirão alguns assíduos, com cara de tédio. Pois é, só que para muita gente esse termo não é tão óbvio assim e vale uma explicação.

Não basta, claro, ficar só nas iniciais. Tem contexto e camadas aí. E uma interessante reflexão sobre rotulagem do som de pista ao longo dos anos.

Olhando em retrospecto, é curioso observar os diferentes nomes escolhidos para o som “dançante”. Alguns espontâneos, outros bem mercadológicos (como EDM). Alguns muito adequados, outros bem bocós.

O rock nunca teve esse problema. Rock sempre foi rock e não “música de guitarra” ou “barulho”.

Mas também, num universo que vai de Chic a Aphex Twin, arrumar uma etiqueta definitiva é missão quase impossível.

DISCO

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O afrobeat “Soul Makossa” foi hit nas discos, portanto era “disco” music

No começo, tudo era disco. Em 1974, quando nem se usava mixer, os sons da pista eram os sons da “discoteca”, que é como se chamava uma casa noturna. Um pouco de soul, um pouco de pop, com alguns discos obscuros de salsa e música africana. Pouco depois, disco já era gênero, amálgama das partes mais dançantes dessas várias fontes. Em 1977, Giorgio Moroder e Donna Summer vieram com “I Feel Love” e a música de pista conheceu seu futuro eletrônico.

DISCO (NOT DISCO)

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Apesar do groove todo, os Talking Heads cantavam “this ain’t no party, this ain’t no disco”

Em 1980, a disco virou o gênero que não se ousa dizer o nome. Filme queimado, atacada pelas forças quadradas da sociedade, a disco se retraiu. Mas veja que ironia: algumas das melhores fusões e experiências de som de pista se deram depois da suposta morte da disco. Pense em “Rapture”, do Blondie, ESG, “Blue Monday”, Afrika Bambaataa, Kid Creole, “Magnificent Seven”, do Clash, ou na discotecagem de lugares como Paradise Garage, Hacienda e Funhouse (a de Nova York). Um tempo heterogêneo. E, apropriadamente, sem rótulo.

DANCE MUSIC

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S-Express era música e era de dançar, portanto…

Mas os guarda-chuvas são úteis (especialmente em Londres). Daí, em algum momento no meio dos anos 80, “dance music” pegou como termo para o som das pistas. A parada Disco Action da Billboard virou Hot Disco/Dance. O conteúdo do case dos DJs foi assim sendo chamado até bem dentro dos anos 90 no Brasil, quando começou a era das facções e do “underground”. Em inglês, quer dizer, literalmente, “música de dançar”. Os britânicos são consistentes. Lá, tudo sempre foi dance music. E é dance music até hoje.

“DANCE”

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Ice MC: queimando o filme com “Cinema”

“O resto que se dance”, zoava uma vinheta de rádio paulistana dos anos 90. A ideia era estabelecer uma hierarquia em tempos de acelerada popularização. A partir de Technotronic e C&C Music Factory, muitas casas e rádios resolveram radicalizar na bagaceira, dando espaço para a ascensão de nomes como DJ Bobo e Ice MC. Isso era “dance” (pronunciado com tom de desprezo pelos que não gostavam). Também conhecido como “Poperô”, depois do “Pump It Up”, do Technotronic.

BATE-ESTACA

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Tum-tum-tum, bate o coração da música

Mais um xingamento que um rótulo e existente desde o tempo da disco. Como se o bumbo onipresente fosse um defeito. Não importa, me arrumaram um bom nome pro blog. Uma versão mais recente é “tuts-tuts”.

“TECHNO”

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Corona: techneira, só que não

Essa é pro pessoal que viveu os anos 90. Por alguns anos, na metade da década, tudo que era eletrônico era “techno” ou “tecno”. Goldie ou Robin S eram “techno”. Lá nos Estados Unidos também tinha dessas. “It’s that goddamn techno music, buddy”. Aí você ia ver e era Corona que tava tocando.

UNDERGROUND

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Altern 8: O som do subsolo

Em oposição a “dance” com D minúsculo, prosperou em São Paulo o “underground”. “Fulano toca underground”, diziam. Significava que ele podia tocar Altern 8, Strictly Rhythm ou Underground Resistance.

ELECTRONICA

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Mais um rótulo pra coleção dos Chemicals

Sem circunflexo, porque é em inglês. Esse é bem específica dos EUA. Basicamente, um rótulo de indústria com ares de sofisticação (esse “a” no fim da palavra confere um quê de latim antigo) para a safra Underworld-Chemicals-Prodigy-Daft Punk não ser confundida com aquela “goddamn techno music”.

MÚSICA ELETRÔNICA

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Já tentou dançar Air?

E no Brasil o que pegou foi essa composição, também modo de dizer que um som não era “dance music” e muito menos “dance”. Além do que, alguém conseguia dançar Air ou The Orb? De uns tempos para cá, com o advento da Swedish House Mafia e do David Guetta e o uso generalizado do termo, tem gente agora se sentindo no dever de acrescentar um “underground” ou “alternativo” depois, ou simplesmente sendo mais específico e falando que gosta de “house”, “deep house” (ops) e “dubstep”.

EDM

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Mouse music

A indústria do entretenimento dos EUA, em busca de uma nova embalagem para o produto musical que começava a vender horrores, se saiu com esse “EDM”, “electronic dance music”. Presume-se que para diferenciar o Deadmau5 e o Afrojack dos grupos de polca ou bogaloo, que praticam dance music não-eletrônica. Seja como for, EDM sinaliza com uma placa fluorescente bem forte que se trata de música feita para embalar festa de piscina de Las Vegas onde a champanhe vem com fogos de artifício. Eu evito a todo custo.

otavio

novembro 1st, 2013

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